Sessões Plenárias

CristineCristine Angulski da Luz é graduada em Direito pela Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL – Tubarão) desde 1997. Cursou a Escola Superior do Ministério Público de Santa Catarina entre os anos de 1997 e 1998. Ingressou na carreira do Ministério Público de Santa Catarina em 2001, tendo ocupado o cargo de Promotora de Justiça nas Comarcas de Sombrio, Urussanga, Araranguá e Chapecó. Foi membro do Conselho Consultivo do Centro de Apoio Operacional dos Direitos Humanos e Terceiro Setor e do Conselho de Políticas e Prioridades Institucionais, ambos do MPSC. É titular da 15ª Promotoria de Justiça de Joinville. Desde abril de 2015 exerce a função de Assessora Jurídica-Administrativa do Procurador-Geral de Justiça.

Título: A linguagem na atuação jurídica

A apresentação buscará abordar o Direito como ciência social, presente no cotidiano das pessoas, ainda que estas não percebam, e discutir a razão pela qual o vocabulário empregado no âmbito jurídico é considerado ininteligível e, por isso, uma das principais causas da segregação do acesso à justiça. Propõe-se esclarecer que a linguagem jurídica, não obstante técnica, não se destina apenas àqueles que possuem conhecimentos acadêmicos específicos, mas também e especialmente aos que constituem partes de um processo ou demanda, fazendo-se necessário, por isso, aferir a real necessidade do emprego de um léxico demasiadamente intransponível para uma grande parcela de usuários da língua portuguesa. Não se pode perder de vista que o Direito, dentre os diversos campos do conhecimento especializado, é um dos que mais interessam à sociedade, já que é a ordem jurídica que proíbe, obriga ou permite certas ações, razão por que a linguagem acessível e inteligível entre os atores sociais democratiza o conhecimento do direito e aproxima o cidadão das estruturas e mecanismos de realização da justiça. Por fim, a abordagem destacará o papel de Intérpretes e Tradutores como auxiliares da justiça e da garantia da equidade do processo.


 

s200_paulo.cortes_gago.jpgPaulo Cortes Gago é professor associado da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Departamento de Letras Anglo-Germânicas, e trabalha com o ensino de Alemão como Língua Estrangeira (DaF) na graduação. Atua no Programa Interdisciplinar de Pós-Graduação em Linguística Aplicada, desenvolvendo pesquisa na área de Linguagem e Interação, como foco nas práticas profissionais em contextos institucionais, e ênfase na intervenção de terceiras partes em situações de conflito. Foi coordenador do Comitê de Ética em Pesquisa em Seres Humanos da Universidade Federal de Juiz de Fora entre 2012 e 2015. Participa como parecerista em comissões editoriais de revistas e consultor ad hoc de agencias de fomento à pesquisa. Exerce a função de pesquisador de produtividade de pesquisa do CNPq.

Título: Análise da Conversa Aplicada na mediação familiar judicial: construindo pontes

Partindo do princípio de que os pesquisadores associados à ALIDI necessariamente trabalham no campo interdisciplinar, minimamente, na Linguística e no Direito, e que, por isso, confrontam-se, mais ou menos diretamente, com a questão de como dar o famoso “retorno” da pesquisa a seus “pesquisandos”, pretendo explorar nessa plenária como a Análise da Conversa tem trabalhado a noção de Análise da Conversa Aplicada, e sua relação com a linguística aplicada. Nesta trajetória, discuto alguns trabalhos seminais, a partir da virada do século, por exemplo dos autores ten Have, Schegloff e Richards. Em visada mais recente, apresento os seis tipos de Análise da Conversa Aplicada propostos por Antaki, dando destaque para a agenda de pesquisa mais recente: a intervencionista, explorada também por Robinson e Heritage. No Brasil, trato o trabalho de Del Corona como um marco, e em área de relevância para a nossa associação: as ligações do 190 para a brigada militar. Por fim, tomando como fonte de inspiração para minha própria pesquisa os trabalhos de Stokoe e Garcia, que discutem a noção de aplicação na área de mediação, meu campo de atuação, proponho-me a discutir como a minha pesquisa mais recente, em reclamações de terceiras partes ausentes, na mediação familiar judicial, relaciona-se com a dimensão de aplicação. Argumento a favor de uma modulação na dimensão de intervenção, em função do contexto e das condições de pesquisa no contexto brasileiro, e considero-a fruto de relações continuadas, através das quais a intervenção pode ser fomentada, como um fazer processual.


 

s200_rui.sousa-silva.jpgRui Sousa-Silva é professor auxiliar convidado da Faculdade de Letras e investigador de pós-doutoramento do Centro de Linguística (CLUP) da Universidade do Porto, onde desenvolve atualmente a sua investigação em Linguística Forense e Cibercrime. É licenciado em Tradução e Mestre em Tradução e Terminologia pela FLUP e doutorado em Linguística Aplicada pela Aston University (Birmingham, Reino Unido), onde defendeu com máximo êxito a sua tese em Linguística Forense “Detecting Plagiarism in the Forensic Linguistics Turn”, na qual propôs uma abordagem à deteção de plágio translingue. É coordenador do Curso de Especialização em Linguística Forense da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, autor e coautor de vários artigos sobre análise de autoria (computacional) e coeditor, com o Professor Malcolm Coulthard, da recém-criada revista internacional bilingue Language and Law – Linguagem e Direito.

Título: Linguística Forense: a nova arma na luta contra o cibercrime

Os desenvolvimentos tecnológicos das últimas décadas proporcionaram novas oportunidades de comunicação, mas também colocaram novos desafios; paralelamente à liberdade fornecida pelas inovadoras ferramentas virtuais, como as redes sociais, desenvolveram-se novas formas de cibercriminalidade – isto é, a criminalidade praticada com recurso a ferramentas online, incluindo: perseguição (cyberstalking); os ataques pessoais (cyberbullying); ameaças; e linguagem ofensiva, que atenta à dignidade e aos direitos de determinadas classes habitualmente descriminadas. Estes crimes ocorrem, por um lado, por existir uma perceção (embora nem sempre real) de que tudo o que se passa online é anónimo – e que, portanto, um perfil de utilizador falso garante o anonimato total -, e, por outro lado, porque existem atualmente várias possibilidades técnicas de anonimização, como sejam a utilização de computadores públicos (por exemplo, os existentes em serviços de acesso geral, como bibliotecas), o recurso a software de ocultação de identidade e de endereço IP, ou a utilização da dark net. Estas ferramentas dificultam a investigação policial, que se tem concentrado sobretudo na identificação da localização dos criminosos. Esta comunicação discute de que forma a análise da linguagem utilizada em comunicações (suspeitas) poderá contribuir para identificar cibercriminosos. Apoiando-se em casos do Gabinete Cibercrime do Ministério Público de Portugal, mostra-se de que modo a Linguística Forense permite, por um lado, analisar textos suspeitos e identificar os seus autores, e, por outro, investigar comunicações que utilizem linguagem ofensiva ou que incentivem o ódio. A plenária termina discutindo as potencialidades da linguistica forense para a deteção de notícias falsas – o fenómeno conhecido como “fake news” -, e de que modo este ramo da linguística aplicada pode ser a nova arma contra o cibercrime.

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