Minicurso 2: Rui Sousa-Silva

s200_rui.sousa-silva.jpgRui Sousa-Silva é professor auxiliar convidado da Faculdade de Letras e investigador de pós-doutoramento do Centro de Linguística (CLUP) da Universidade do Porto, onde desenvolve atualmente a sua investigação em Linguística Forense e Cibercrime, no âmbito do seu projeto de pós-doutoramento (realizado em parceria entre a Faculdade de Letras da Universidade do Porto e a Universidade Federal de Santa Catarina). É licenciado em Tradução e Mestre em Tradução e Terminologia pela FLUP e doutorado em Linguística Aplicada pela Aston University (Birmingham, Reino Unido), onde defendeu com máximo êxito a sua tese em Linguística Forense “Detecting Plagiarism in the Forensic Linguistics Turn”, na qual propôs uma abordagem à deteção de plágio translingue. É coordenador do Curso de Especialização em Linguística Forense da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, autor e coautor de vários artigos sobre análise de autoria (computacional) e coeditor, com o Professor Malcolm Coulthard, da recém-criada revista internacional bilingue Language and Law – Linguagem e Direito.

Título: Análise de autoria e plágio em contextos forenses: as duas faces da mesma moeda

Em contextos académicos, como em contextos não académicos, o plágio é, normalmente, perspetivado como uma questão de sobreposição textual, em que a comparação entre dois textos para determinar o volume de texto idêntico é o principal critério para determinar se existe a ocorrência de plágio. No entanto, a análise de plágio é bem mais complexa. Primeiramente, nem sempre os textos com um volume de sobreposição textual idêntico contêm um maior volume de plágio, uma vez que (a) a reutilização de determinados trechos de texto será mais grave do que outras e (b) nem todas as palavras e expressões estão sujeitas à mesma relevância em matéria de originalidade. Em segundo lugar, nem sempre as estratégias utilizadas para plagiar permitem que a deteção se baseie numa comparação entre dois textos. Efetivamente, as estratégias utilizadas pelos plagiadores são cada vez mais sofisticadas e o facto de as fontes nem sempre serem conhecidas dificultam essa comparação binária. Assim, partindo do pressuposto de que os plagiadores recorrem às mais diversas estratégias, incluindo parafraseamento, tradução e reescrita de texto, este minicurso mostra de que modo as estratégias de deteção e análise de casos de plágio necessitam de ser ajustadas aos critérios utilizados para plagiar, e revela como, em várias situações – como a compra de trabalhos online – os métodos de análise de autoria forense são os únicos que permitem identificar casos graves de plágio que fogem, habitualmente, ao escrutínio do software de deteção.

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